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CAPITAL| Sem auxílio, informais sofrem para garantir renda

Nas ruas da Capital, trabalhadores informais relatam dificuldade para sobreviver na pandemia

Dona Nilsa dos Santos vende panos de prato, e Thiago Dornelas, bebidas; ambos relatam queda no movimento ©Álvaro Rezende
A pandemia da Covid-19 impossibilitou o trabalho de milhões de brasileiros em todo País, no ano de 2020 e ainda no ano de 2021. Para amenizar a queda nas rendas mensais da população, o governo federal desenvolveu o Auxílio Emergencial, que foi concedido aos brasileiros em um total de nove parcelas.

Em Mato Grosso do Sul, 862.390 pessoas receberam o benefício no ano passado, conforme os dados do Portal da Transparência da Controladoria-Geral da União. Ainda de acordo com a Controladoria, Mato Grosso do Sul recebeu R$ 3.713.195.007,00 bilhões, considerando a extensão do benefício.

Ao todo, os inscritos no programa emergência receberão cinco parcelas no valor de R$ 600 e mais quatro parcelas de R$ 300 da extensão do recurso, que juntas somam R$ 4.200.

Estes trabalhadores informais que ainda resistem às mudanças impostas desde que o vírus se instalou na sociedade.

Nilsa do Santos, de 59 anos, é comerciante informal há quatro anos no centro da Capital, com a ajuda de seu marido, ela circula pelas principais avenidas, oferecendo seus coloridos panos de prato.

Ela relata que está sofrendo para realizar suas vendas durante a pandemia, isso porque o número de pessoas circulando pelas ruas é menor e a sua mercadoria sofreu reajuste, o que a obrigou aumentar o preço de seus panos de prato.

Antes da pandemia, Nilsa explica que vendia 4 unidades por R$ 10, mas agora com o aumento de R$ 6 na dúzia dos panos, ela vende 3 unidades por R$ 10 para conseguir lucrar.

“A procura das pessoas diminui muito, e os preços subiram, tudo isso me prejudica, eu tive de aumentar o valor que eu cobro, e aí as pessoas me questionam que antes era mais barato, mas não tem o que eu possa fazer a respeito disso, tudo encareceu demais, e aí eles não compram”, pontuou.

Segundo Nilsa, seu marido é aposentado, mas recebe um salário que não é o suficiente para custear todos os gastos da casa, por isso ela sai às ruas todos os dias, das 7h às 15h, para vender seus panos e complementar a renda. No entanto, ela relata que as vendas na pandemia tiveram queda de 80%.

“O dinheiro não é muito, mas complementa a renda mensal da minha casa, só que agora na pandemia eu tenho muita dificuldade de conseguir o que eu ganhava antes, minhas vendas caíram 80%”, informou.

A trabalhadora informal relatou que recebeu o auxílio emergencial do governo, e explica que foi um alívio, pois conseguia compensar a queda nas vendas com as parcelas que estava recebendo, mas com o fim do auxílio em dezembro, a senhora voltou a viver a angústia da incerteza da situação.

QUEDA NAS VENDAS

Para conter a transmissão do coronavírus, é indicado que a população só saia para o essencial, logo, o movimento pelas ruas diminui, e nesse momento o vendedor ambulante sente, explicou Thiago Dornelas de 24 anos.

Vendedor ambulante há dois anos, Thiago percorre toda região central da cidade diariamente vendendo água, energético, café e refrigerantes.

O vendedor informa que é nítida a diferença entre o ano sem a pandemia e agora com a pandemia. Para ele, no ano de 2020 e no início de 2021, suas vendas tiveram queda de 40% quando comparado a 2019.

“As pessoas ficam com medo de consumir na rua, daí eu tenho de explicar que tudo está higienizado e seguro, converso com elas e explico a situação. Tenho certeza de que a queda de 40% nas minhas vendas está relacionada ao medo das pessoas, nessas horas, temos de conversar e tranquilizar nossos clientes”, ressaltou.

O jovem ainda relata que, mesmo com a dificuldade nas vendas, vai continuar com o trabalho informal, pois não existe vagas de empregos em outras áreas que proporcione a ele um ganho de mais de R$ 1.100,00 – valor do atual salário mínimo no Brasil –, para que ele se sustente.

A economista do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento da Fecomércio (IPF-MS), Daniela Dias, relata que a situação vivenciada pelos vendedores informais interfere no cenário da economia. “Essa situação interfere no cenário geral da economia, porque um pouco mais de 10% da população é composta por esses trabalhadores informais, e a gente sabe que eles acabam gerando um dinamismo para a economia”, informou.

Para ela, os vendedores podem realizar algumas ações que os assegure, “esses trabalhadores informais podem formalizar suas atividades, o custo é baixo e garante direitos que os asseguram, outra medida é buscar orientação de empresas que prestam mentorias gratuitas, de como se projetar para abrir um comércio, como se organizar financeiramente”, esclareceu.

BENEFÍCIO

Na última semana, a Câmara de Deputados aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) Emergencial, que abre espaço no orçamento para a reedição do auxílio emergencial e limita o programa a R$ 44 bilhões.

Com o agravamento da pandemia em todo o País, o governo se prepara para promover uma nova rodada do benefício. O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou que as novas parcelas terão valor médio de R$ 250. A depender da composição da família, os valores vão de R$ 175 a R$ 375.

Segundo o ministro, o auxílio deve atender à metade dos 64 milhões de desempregados, informais e beneficiários.

Tiveram direito aos repasses, obedecendo a uma série de critérios econômicos e sociais, integrantes do Bolsa Família, cidadãos incluídos no Cadastro Único (CadÚnico), além de trabalhadores informais, contribuintes individuais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e microempreendedores individuais que solicitaram o benefício por meio de plataformas digitais ou aplicativo da Caixa Econômica Federal.
©Álvaro Rezende



Fonte: CE
Por: Gabrielle Tavares

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