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Com menos de 24h de diferença, José e Maria partem vítimas do coronavírus após 61 anos juntos

Idosos estavam em isolamento total e, mesmo assim, foram contaminados

Seu Zé e dona Maria eram casados há 61 anos ©Arquivo Pessoal
José e Maria eram as referências da família por terem trilhado um casamento sólido de 61 anos com amor, carinho e respeito um pelo outro. O casal partiu este final de semana, em Dourados, vítima de complicações do coronavírus com menos de 24 horas de diferença. Os dois estavam isolados sob os cuidados de uma neta e, mesmo assim, foram infectados.

Ambos com 82 anos, José Batista Filho e Maria Mariano Batista tiveram 4 filhos, 7 netos e 4 bisnetos. Uma das filhas e o genro são enfermeiros da linha de frente no combate ao vírus. Mesmo seguindo todos os protocolos de segurança e isolados ao máximo, o casal acabou contraindo o coronavírus. José e Maria começaram a passar mal em casa, juntos, e foram para o hospital no mesmo dia. Seu Zé, como é conhecido, já tinha contraído a doença e ficou com fibrose pulmonar como consequência e, além disso, ele tinha outras comorbidades.

Seu Zé foi levado no carro da família enquanto dona Maria foi encaminhada para a UPA pelo Samu. Posteriormente ela foi transferida para a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) do Hospital Universitário e, cerca de 6 horas depois, seu Zé precisou ser levado para o Hospital da Vida. Antes de ser entubada, dona Maria chamou pelo marido e pediu que ele a levasse embora.

O estado de saúde dos dois agravou e, por volta das 16h20, da última sexta-feira dona Maria partiu. Menos de 24 horas depois, a família perdeu também seu Zé.

O genro Jair conta que passou 2 noites na funerária tratando de assuntos burocráticos para o enterro e, na volta para a casa, encontrou restaurantes lotados, pessoas sem máscara e até rodinha de tereré.

“Enterramos minha sogra, daquela forma, desumana, onde não pode estar próximo deles. Agora, vou enterrar meu sogro. Fica uma dor muito grande, um curto espaço de tempo. Para minha esposa, uma dor terrível pois os pais eram seu bem maior. A gente aproveita para dizer da importância de respeitar as indicações de ficarmos isolados, usarmos máscaras, álcool em gel e higienizar as mãos. Estamos perdendo parentes. Profissionais da área da saúde têm arriscado suas vidas. Através da nossa dor devemos despertar aqueles que ainda não acreditam. Temos que nos sensibilizar com as famílias que estão chorando e chorarmos juntos. A sociedade está vivendo um mal assolador.”

Neste domingo, segundo o último boletim da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Mato Grosso do sul superou a marca de 2.050 mortes pela doença desde o início da pandemia. Em 24 horas foram 19 novos óbitos e o volume de casos confirmados chega a 121.461 em todo o Estado.

Fonte: Midiamax
Por: Bruna Vasconcelos


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