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Em rodovia onde massacre de animais é evidente, lobo-guará é uma das vítimas

Nos primeiros quilômetros do trecho da MS-040 entre Campo Grande e Santa Rita do Pardo, a reportagem contou 15 carcaças

Lobo-guará, que estampa nova nota de R$ 200, morto na MS-040. (Foto: Henrique Kawaminami)
Nos primeiros quilômetros do trecho da MS-040 entre Campo Grande e Santa Rita do Pardo, a paisagem é dividida entre o árido asfalto, o céu, fazendas, plantações de eucaliptos e carcaças de animais mortos. Nos cerca de 100 km percorridos pela reportagem, pelo menos 15 animais mortos foram contabilizados, entre eles o destaque da nova nota de R$ 200, o lobo-guará.

Deixado na margem da rodovia, o bicho aparentava ter sido vítima de acidente há poucos dias. Nem todos os outros mortos receberam a atenção mínima dos motoristas, que deveriam retirar os animais da via, impedindo a possibilidade de novas ocorrências.

Conforme observado pela reportagem, a maioria das carcaças era de antas, que variavam o estado de decomposição. De acordo com estudo realizado pela Incab (Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira) do Instituto de Pesquisas Ecológicas, entre 2013 e março de 2020, 613 antas foram atropeladas em 34 rodovias federais e estaduais de Mato Grosso do Sul.
Antas são as principais vítimas entre os bichos mortos em rodovias de Mato Grosso do Sul. (Foto: Henrique Kawaminami)
Foi observado pela Iniciativa que, apenas entre março de 2019 e deste ano, 113 atropelamentos do animal aconteceram nas vias do Estado. Também conforme o estudo, a MS-040 é a que apresenta maior número de atropelamentos de antas dentre as vias monitoras de MS.

Além das carcaças observadas durante o trajeto percorrido pelo Campo Grande News, as marcas de frenagem chamam a atenção. De acordo com o tenente-coronel Edmilson Queiroz, da PMA (Polícia Militar Ambiental), a principal forma de evitar as mortes de animais é a mudança no comportamento dos condutores.
Pássaros estavam entre os 15 animais encontrados pela reportagem na rodovia. (Foto: Henrique Kawaminami)
Ele explica que a maior parte das mortes poderiam ser evitadas caso motoristas não ultrapassassem a velocidade permitida para a via e prestassem atenção aos animais. “Muitas vezes o animal está na margem da pista e o condutor não desacelera. Outra situação é que pela noite os olhos deles brilham com a luz dos carros, então é possível notar e evitar”.

De acordo com Queiroz, a MS-040, por exemplo, atravessa muitas reservas ambientais, em que esses animais vivem.

Em casos de acidentes, as instruções principais indicadas pela PMA começam com o motorista estacionando o veículo em local seguro para verificar a situação do bicho. O coronel explica que é necessário acionar os órgãos responsáveis caso o animal esteja vivo. “Ele será direcionado para recuperação. Caso não esteja mais vivo, a indicação é retirar o corpo do meio da pista, para prevenir novos acidentes”.

Fonte: CAMPO GRANDE NEWS
Por: Aletheya Alves e Geisy Garnes
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