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Campo Grande, 121 Anos: Localização e Nome Atestam a Notável Visão do Fundador

Autor: Iran Coelho das Neves*
Os 121 anos de Campo Grande, comemorados no último dia 26, conformam uma trajetória que, ainda muito breve no contexto da história das cidades, ratifica a determinação e o caráter empreendedor de uma sociedade cuja matriz está firmada em um pioneirismo que, sem qualquer afinidade com o bandeirantismo, foi capaz de romper todas as adversidades.

O espírito pioneiro que animou José Antônio Pereira a se abalar de Minas Gerais não era insuflado pela aventura em busca de riqueza fácil jorrando de minas de ouro ou de lavras de diamante. Ao contrário, a saga migratória que liderou foi movida pela ponderada procura por terras férteis e largas, próprias para a criação de gado e para lavouras que garantissem o sustento.

Essa própria vocação de desbravamento centrado na expectativa de retorno mais lento e seguro, através da agropecuária, e não nas desordenadas corridas para desentranhar sonhados tesouros, tem muito a ver com o processo civilizatório que, instalado no arraial de Santo Antônio de Campo Grande, na década de 1870, resulta hoje na prodigiosa e acolhedora Capital Morena.

Passados 121 anos, é instigante pensar sobre como José Antônio Pereira e seus companheiros daquela frente mineira de colonização foram inspirados quanto a dois aspectos – o primeiro, decisivo, e o segundo, sem dúvida valioso – importantes para que arraial florescesse como a capital cosmopolita que é hoje: a escolha do local para instalar o povoamento, e o nome escolhido para designá-lo.

Do quanto a escolha do sítio original do povoado – na confluência dos córregos hoje chamados de Prosa e de Segredo, onde está o Horto Florestal – foi providencial, premonitória mesmo, dá testemunho a própria metrópole contemporânea, que se espraia por uma das mais privilegiadas configurações geográficas urbanas do país.

Já sobre a designação de ‘Santo Antônio de Campo Grande’, é de se admitir que, à louvável devoção ao santo seu homônimo, José Antônio Pereira tenha agregado, com notável propriedade, a expressão que melhor traduzia a sensação de infinitude que lhe causavam as ondulantes campinas.

Com Santo Antônio erigido padroeiro e dissociado da designação da cidade nascente, ‘Campo Grande’ se consagraria definitivamente como o nome que, antes de tudo, expressa com absoluta fidelidade o locus que abrigava o arraial e hoje abriga uma metrópole regional em franca expansão modernizadora.

Não fosse por tudo o mais que derivou de sua empreitada civilizatória tracionada por carros de boi, José Antônio Pereira já mereceria lugar de destaque no panteão da história desta nossa Capital Morena. Pelo intuitivo saber com que escolheu o espaço geográfico privilegiado para abrigar a cidade, e pela inspirada decisão de batizá-la, quando ainda era um mero povoamento de cabanas rústicas, com o nome que há 121 anos lhe confere grandeza, dignidade e fundadas esperanças de ser sempre maior: Campo Grande.

Não será necessário acreditar em ‘destino’, numerologia, onomástica ou afins, para admitir que, neste caso, a convergência virtuosa de escolhas inspiradas de localização e nome resulta, 121 anos depois, em síntese prodigiosa e eloquente de um espaço físico-urbanístico, cultural e socioeconômico onde sucessivas gerações plasmam uma cidade que, com todos os problemas e vicissitudes comuns aos aglomerados urbanos, segue sendo um das melhores capitais brasileiras para se viver.

No dizer do poeta inglês William Cowper, “Deus fez o campo, e o homem fez a cidade.”

Como, graças à inspiração de seu fundador, a nossa Capital Morena é também Campo, não será megalomania ou bairrismo irremissível acreditar que o Criador tenha posto suas mãos divinas na construção da história de 121 anos desta Campo Grande que orgulha todos nós, sul-mato-grossenses nativos e adotivos.

*Iran Coelho das Neves é Presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul.
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