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SAÚDE| Médico alerta para riscos do uso indiscriminado da Cloroquina

Guilhermo Bonini é presidente da Associação Médica da Grande Dourados
Após as primeiras divulgações na internet e redes sociais a respeito da melhora de pacientes infectados pelo Corona vírus, várias pessoas correram para as farmácias e compraram aos montes a medicação.

Muito cuidado com isso. Nunca faça a automedicação e utilize medicamentos somente sob cuidados médicos. A cloroquina faz parte de uma classe de medicamentos denominada 4-aminoquinolonas.

Encontrada na forma de difosfato de cloroquina e hidroxicloroquina, a droga foi descoberta em 1934 e é amplamente utilizada para tratamento e prevenção para alguns protozoários da malária.

Por provocar uma leve supressão no Sistema Imune, a cloroquina é, também, muito utilizada em doenças autoimunes como a Artrite Reumatóide e o Lúpus Eritematoso Sistêmico entre outras.

Como todo medicamento, a cloroquina pode apresentar efeitos colaterais, pois a mesma pode se depositar em diferentes tecidos do nosso corpo. A toxicidade aguda por cloroquina é mais frequente quando administrada muito rapidamente por via parenteral. As manifestações tóxicas estão relacionadas com efeitos cardiovasculares (hipotensão, vasodilatação, supressão da função miocárdica, arritmias cardíacas, parada cardíaca), e do SNC (confusão, convulsões e coma). As doses terapêuticas usadas no tratamento oral podem causar cefaleia, irritação do trato gastrointestinal, distúrbios visuais e urticária.

Doses diárias altas (>250 mg), resultando em doses cumulativas de mais de 1 g/Kg de cloroquina base, podem resultar em ototoxicidade e retinopatia irreversíveis.

Em relação a oftalmologia, minha especialidade, a Retina é um tecido situado no fundo do olho como um “papel de parede” interno, composto por neurônios, entre eles os fotorreceptores. Há uma área central chamada mácula, responsável pela visão central, nosso foco fino. A cloroquina pode se depositar ao redor da mácula e pelo desenho formado provoca o que chamamos de maculopatia em alvo, danificando, irreversivelmente, a visão central do paciente.

Em relação a COVID-19, os primeiros países a apresentarem relatos do uso da cloroquina e da melhora de pacientes contaminados forma a própria China, Coréia do Sul e depois França, Itália e ultimamente o próprio Estados Unidos. Mesmo sem tempo hábil de publicação de um trabalho que apresentasse uma casuística para a formulação de uma evidência científica comprovada, o FDA (órgão de regulação de medicamentos nos EUA) e a própria ANVISA, liberaram o uso da cloroquina em associação a azitromicina para tratamento da COVID-19.

Importante ressaltar à população que esses medicamentos são indicados a pacientes com evolução de moderado a grave, apresentando comprometimento pulmonar (pneumonia), em associação a outras medicações e em ambiente hospitalar (internações).

Não há nenhuma evidência e, portanto, nenhuma indicação do uso de cloroquina para a prevenção de contaminação pelo Corona vírus.

Portanto, mais uma vez, vale lembrar: Não faça a automedicação e não utilize nenhuma medicação sem orientação médica.

Fonte: OPROGRESSO
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