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CAPITAL| Com trânsito intenso no centro, nem parece que Campo Grande está em quarentena

Quem estava na rua a trabalho estranhou a circulação de carros; lojas fechadas é o indicativo da restrição

Movimentação de carros no centro de Campo Grande, esta manhã ©Marcos Maluf
Se não fosse pelas lojas fechadas na região central, nem parecia que a cidade está enfrentando período de quarentena por conta da crise pandêmica do novo coronavírus (Covid-19). A movimentação de carros, embora abaixo do esperado para um dia útil, causou estranheza para quem teve que circular nas ruas.

O motoentregador Robson Gomes Ferreira, 36 anos, estava sentado no ponto de ônibus, aguardando ser chamado para trabalho. Nesses dias de quarentena, presta serviço para loja de eletrônicos, que o convoca para fazer alguma entrega de compra. Apontando para o trânsito na Avenida Afonso Pena, disse que a circulação de veículos estava menor do que o usual. “Mas, ainda assim, tá meio movimentado, já vi dois ônibus e tem bastante carro”.

Os ônibus do transporte coletivo estão em circulação para atender os funcionários do setor da saúde. No ponto da Avenida Afonso Pena, vários que saíram do turno desciam para dar espaço aos colegas que entram no serviço. Nesse vai e vem, curiosamente, eles não guardaram distância de segurança e subiam no coletivo segurando nas barras.

José Paulo, 47 anos, também estava no centro a trabalho, como motorista de aplicativo, prestando serviço de moto. “Acho que só está na rua quem precisa trabalhar”, disse, embora avaliasse que o trânsito de hoje não deveria estar tão cheio. “Não está normal, mas também não está tranqüilo”, disse.

A reportagem constatou que a maior concentração de pessoas esta no ponto de ônibus com transporte destinado aos funcionários da saúde. Na Avenida Afonso Pena, quando o sinal fecha, a fila de carros chega a metade da quadra, abaixo do normal, mas atípico para uma cidade em quarentena, com restrições na circulação de pessoas e de serviços em funcionamento.

Uma família – pai, mãe e filho – passava pela rua e, rapidamente um deles disse que estava a caminho da farmácia, um dos estabelecimentos comerciais com autorização de funcionamento.

Com exceção do trânsito, é o número de portas abaixadas que indica o momento que a cidade está passando.
No Mercadão, boxes fechados e circulação restrita pela administração ©Marcos Maluf
Da porta da farmácia, o atendente Sidnei Pereira de Andrade, 43 anos, observava a Rua 14 de Julho. “Ônibus passava a todo minuto, agora ta assim”. A restrição do transporte coletivo fez com que ele viesse a pé de casa, na Vila Jaci, trajeto que durou cerca de meia hora. Andrade também lamentou que esta será fase difícil para vendas. “A comissão vai lá embaixo”, disse, mas espera que seja mal temporário. “Que tudo passe logo e as coisas melhorem”.

No Mercadão, o movimento nas primeiras horas do dia ainda era fraco, mas, mesmo que a procure aumente, a administração informou que haverá restrições na entrada de clientes para evitar aglomerações. Além disso, nem todos os boxes estavam abertos, já que muitos comerciantes têm idade acima de 60 anos, grupo de risco e, por isso, decidiram obedecer a quarentena.

Desde que os primeiros casos foram notificados na cidade, o movimento no Mercadão caiu cerca de 50%, segundo informações da administração. Hoje, logo cedo, em lugar que já deveria estar lotado, pouco mais de 11 pessoas circulavam pelos corredores. A administração deu férias coletivas para funcionários e liberou o estacionamento, que chegava a ter circulação de 5 mil carros, diariamente. 

Por Silvia Frias e Clayton Neves
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