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Abril Verde: Palestra sobre saúde do professor reúne quase 2 mil educadores da Capital

Evento foi realizado no Centro de Convenções e dois auditórios do local ficaram lotados

©DIVULGAÇÃO 
“Não é fácil ser professor em um ambiente hostil, de violência, como é o caso das escolas públicas no Brasil”. O comentário é do psicólogo e escritor Rossandro Klinjey, que ministrou palestra, intitulada "Educação é lugar de saúde, não de doença", para cerca de 2 mil pessoas, que lotaram dois auditórios e o saguão do Centro de Convenções Rubens Gil de Camillo, no Parque dos Poderes, na Capital. O evento, realizado na tarde desta segunda-feira (8), marca o início das ações do “Abril Verde”, campanha de prevenção a acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, promovida pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 24º Região, com participação da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALMS), entre outras entidades.

“Os professores da rede pública têm, no Brasil, grande sofrimento psíquico. Isso está ligado a um desrespeito na relação de alunos e de seus pais com os educadores. Há uma ideia de competição entre pais e professores, quando deveria existir união em prol dos alunos”, afirmou Klinjey em entrevista concedida aos jornalistas antes de proferir sua palestra. Ele destacou o problema da violência, com “tráfico de drogas nas escolas e alunos armados em sala de aula”, como um dos fatores de doenças psíquicas dos professores. “Conhecemos essa realidade, mas, apesar disso, o professor precisa entender, primeiramente, que desistir não é opção. Não podemos desistir da educação, como projeto para o Brasil. Nenhuma nação conseguiu se desenvolver sem passar pela educação”, acrescentou.

O especialista considerou, ainda, que os alunos, assim como os professores, também são vítimas. “Os olhos para eles também deve ser de acolhimento, de ajuda. E, para que isso ocorra, o professor precisa de estrutura”, disse. “A gente tem que criar um consenso sobre a educação e sobre o professor para que ele tenha a importância que a sociedade ainda não lhe concede”, enfatizou.
Presidente da ALMS, deputado Paulo Corrêa, participou do evento 
A família tem, conforme o psicólogo, papel fundamental. “Filhos que não respeitam pais e mães, não respeitam a autoridade, não respeitam o professor e não veem como importante o que ele ensina. É um efeito dominó”, afirmou o especialista, que considera que muitas demandas, que seriam da família, estão sendo transferidas às escolas.

O presidente da ALMS, deputado Paulo Corrêa (PSDB), que participou do evento, concorda com o especialista. “Você não tem que fazer da escola uma extensão do seu lar. É o contrário: a escola complementa a educação que os pais têm de dar”, disse o parlamentar. Ele também parabenizou o TRT pela iniciativa do evento. “Essa ação e o ‘Abril Verde’, como um todo, é muito importante. É o verde da esperança, para não termos mais acidentes de trabalho”, afirmou.

Outro parlamentar que também esteve presente no evento foi o deputado estadual Oneval de Matos (PSDB). “Como bem afirma o título da palestra, a educação é lugar de saúde e não de doença”, enfatizou o deputado, que considerou o encontro de suma importância, especialmente aos professores da rede municipal de ensino. 

O prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), que também participou do evento, salientou a relevância da discussão sobre saúde psíquica do professor. “Isso é o que há de mais importante. É preciso discutir não apenas estrutura e questões pedagógicas, mas também as condições mentais do professor, que absorve todo o estresse do dia a dia e ainda precisa lidar com uma sala de aula”, disse.
Paulo Corrêa e Marquinhos (no centro) e outras autoridades, no evento
Quadro crítico – É crítico o quadro de saúde dos educadores e os números estão piorando, conforme salientou o juiz do Trabalho Márcio Alexandre da Silva, gestor regional do Programa de Combate ao Trabalho Infantil e de Estímulo à Aprendizagem da Justiça do Trabalho. Ele mencionou dados da Previdência Social, que mostram que as notificações de acidentes com professores da rede pública municipal de Campo Grande aumentaram de 23, em 2017, para 64, em 2018. “Isso são apenas acidentes que envolveram os professores fisicamente. Ou seja, não dizem respeito a doenças mentais, que, no Brasil, correspondem a terceira maior causa de afastamento”, informou.

Entre as autoridades, também estiveram presentes o ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Lelio Bentes Corrêa, o presidente do Sindicato Campo-grandense dos Profissionais da Educação (ACP), Lucílio Nobre, a desembargadora Maria Beatriz Theodoro Gomes, do TRT, da 23ª Região.



Por: Osvaldo Júnior 
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