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Boa prática do TJMS com presos impacta comunidade da periferia da Capital

©DIVULGAÇÃO
Este ano a Escola Estadual Teotônio Vilela abriu suas portas para os seus 1.500 alunos, renascida. Após longos 33 anos de existência, atendendo a milhares de alunos da região do Bairro Universitária II e adjacência, numa estrutura que não suportou os desgastes do tempo e do uso prolongado sem reformas, o programa "Pintando e Revitalizando a Educação com Liberdade" transformou a escola e impactou profundamente a comunidade.

A grande escola, aliás, maior colégio eleitoral de Campo Grande, é a décima escola a receber o programa e ressurgiu para a comunidade que clamava há tempos por uma melhora na estrutura. Longos muros com pintura nova e grandes árvores podadas nas calçadas do entorno da instituição sinalizam para um interior totalmente transformado pelas mãos de um grupo de 25 presos que permaneceram de dezembro de 2018 até o dia 15 de março em ritmo intenso de trabalho.

Em meio a uma tarde chuvosa no primeiro dia de aula, recebendo pais, alunos e funcionários a todo o momento, o diretor adjunto da instituição, Valter Gerônimo Marques Queiroz, foi o anfitrião que apresentou os detalhes da transformação: “Todos estão encantados, fiz uma postagem no nosso Facebook e recebemos uma enxurrada de comentários de felicitações da comunidade”.

Entre os registros nas redes sociais, alunos ansiosos para conhecer a “nova escola”, pais lembrando da importância dos alunos não permitirem vandalismos: “sejam fiscais uns dos outros, a escola está maravilhosa”. Ex-alunos saudosistas também recordaram os bons tempos: “feliz por ter estudado nela e feliz por vê-la renascendo”.

Fundada em 1985 e deteriorada ao longo de mais de três décadas de atividade, o choque de realidade foi sentido pelos juízes da 2ª Vara de Execução Penal, Albino Coimbra Neto (titular da vara e idealizador do projeto) e Mário José Esbalqueiro Junior (que o substituía até então). Ambos visitaram o início dos trabalhos no dia 11 de dezembro de 2018 e lamentaram a condição do ensino público no país.

Recado deixado também nas redes sociais da escola mostra o evidente descompasso percebido pela população em geral quanto ao investimento na educação pública: “Uma boa educação começa por uma boa escola, não teriam como mudar nosso país sem uma escola forte e aconchegante”.

A partir deste momento, uma comunidade de diretores, coordenadores, professores, funcionários administrativos, pais, alunos e vizinhos da instituição de ensino enchem-se de nova esperança e novos sonhos. Mas o projeto vai muito além. Até mesmo por isso tem se destacado no cenário nacional.

O "Pintando e Revitalizando a Educação com Liberdade" tem a missão de apoiar a transformação de duas mazelas da sociedade. Uma delas, como já mencionado, trata-se do ensino público. A outra face do projeto reúne a ressocialização dos presos que. além de trabalhar na obra. também custeiam a compra de material necessário. E, enquanto reformam, eles próprios se transformam.

Foi o que aconteceu com o detento Antônio João de Moraes, que trabalhou na parte de pintura. “O sentimento que trago hoje é de gratidão. Foi uma mudança na recuperação de uma escola, mas para mim foi a mudança da minha vida. De agora em diante entro em liberdade condicional e já escolhi o caminho do trabalho. Eu mudei, ao mesmo tempo em que eu mudava a instituição”.

E o projeto continuou um pouco além do planejado. O legado para a comunidade vizinha (moradores e comerciantes) veio por meio da construção de um ponto de ônibus, algo que não estava previsto. A partir do momento em que houve a poda das árvores gigantescas na rua ao fundo, a comunidade vizinha relatou a situação. Eram roubos e furtos constantes, causados pelo breu das copas das árvores que abrigavam saqueadores que surpreendiam alunos do turno noturno e moradores que aguardavam o ônibus na calçada. Foi com metal e serralheria dentro do pátio da escola que os presos construíram a cobertura metálica e banco. Pintaram de branco, tudo no capricho. Por fim, criaram um gramado lateral e palmeiras ornamentais completam o "carinho" deixado para alunos e vizinhos.

Dercílio Carvalho, de 75 anos, é dono da padaria em frente ao ponto de ônibus. Assaltado mais de 20 vezes, ele agradece ao projeto em meio a grande obra que está tocando: a padaria vai abrigar no segundo piso a pizzaria do filho e, ao lado, já está em construção a nova fábrica de pães e os projetos contam ainda com um supermercado e açougue. Sorridente, confessa que há 16 anos tentava a poda das árvores e melhorias junto a políticos, sem ninguém o atender. A surpresa veio por meio de um projeto do Judiciário executado por presos.

A nora dele, Jucemara Gomes de Oliveira, também agradece o presente dos presos, o novo jardim do ponto de ônibus foi bastante elogiado por sua filha pequena. E assim uma comunidade distante do centro da Capital reanima-se em meio a tantos motivos para desistir. Um impacto que talvez passe despercebido para a grande parte da população de Campo Grande, mas que está sendo muito valorizado por todos os envolvidos e atingidos por esta ação que partiu da vontade de um juiz de fazer algo em vez de esperar que alguém o fizesse.

Saiba mais – Ao todo foram revitalizados mais de 3 mil m² que compõem a área construída da escola, localizada num terreno de 117 mil m². A obra contemplou a reestruturação da parte hidráulica, elétrica, calçamento, revestimento com cerâmica, colocação de pias, forro de PVC, serviços de serralheria, pintura total, jardinagem, poda de árvores, troca de vidros quebrados, readequação das salas do bloco administrativo, instalação de blindex e balcão de mármore na área de entrega de lanches aos alunos, instalação de coberturas metálicas, manutenção de portas, grades, alambrados e janelas e construção do ponto de ônibus. Construção de cobertura metálica e rampa de acesso para cadeirantes na entrada da escola. Construção de amplo banheiro para portadores de necessidades especiais, com bancada de mármore e chuveiro, para permitir o banho (quando necessário) e troca de fraldas dos alunos.

Os recursos da obra, orçados em R$ 410 mil, são provenientes do desconto de 10% dos salários de todos os detentos que conquistaram uma vaga de emprego via convênios com o poder público. Do custo total, apenas R$ 97 mil provém dos cofres públicos, contrapartida da Secretaria de Educação que arca com o transporte e o pagamento dos presos que trabalharam na obra.

Ao longo de cinco anos de existência, o "Pintando e Revitalizando a Educação com Liberdade" soma reconhecimento nacional com uma economia aos cofres públicos que já ultrapassa os R$ 7 milhões, beneficiando 8.834 alunos. O projeto proporcionou a reforma de mais de 10% do total de escolas públicas estaduais da Capital.

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