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Câncer de mama: sua atitude muda sua vida

©DR
Por: Marineide Carvalho*

As mulheres dos anos atuais apresentam hábitos de vida que aumentam o risco de câncer de mama. Alguns desses hábitos serão facilmente reconhecidos pela leitora com idade acima de 40 anos: peso acima do ideal, ter filhos após os 35 anos, não amamentar, beber e fumar, não ter tempo de praticar exercício físico. Para aquelas que estão acima de 50 anos, acrescento menopausa após os 55 anos e reposição hormonal. Esses fatores são considerados de risco para o desenvolvimento do câncer de mama.

A mulher de 40 anos tem responsabilidade sobre sua saúde e deve ter uma atitude ativa quando o assunto é mamografia para rastreamento do câncer de mama.

Quando se fala em câncer é importante o conceito de diagnóstico precoce, que é a identificação de tumores pequenos, sem disseminação para outros órgãos. O rastreamento do câncer de mama deve ser realizado quando não há sinais nem sintomas, através do autoexame e da mamografia.

No Brasil, o diagnóstico do câncer de mama ainda é um problema, em virtude da dificuldade de acesso das mulheres para conseguir atendimento para a realização da mamografia. E a dificuldade se estende ao acesso ao tratamento.

Conhecer os fatores de risco é o primeiro passo para uma mudança de atitude. Em seguida saber que o câncer de mama é o tumor mais frequente nas mulheres a partir dos 50 anos tem muita importância, especialmente porque essa neoplasia se desenvolve durante um longo período, sem apresentar sinais ou sintomas. 

Ou seja, já aos 40 anos o câncer está presente na mama. Como sabemos disso? 

Na fase bem inicial da transformação das células, o crescimento rápido e a competição por oxigenação e nutrientes leva a morte de muitas células. O tecido normal da mama tenta resolver a questão calcificando a área. Esse fato gera pequenos pontos de depósito de cálcio chamados de microcalcificações e que podem ser identificados pela mamografia. O diagnóstico feito nessa fase tem várias vantagens, entre elas a cirurgia que só retira a área onde o tumor está alojado, não havendo necessidade de retirar toda a mama.

Um outro assunto importante é conhecer os sinais que levam a mulher a reconhecer o câncer de mama. Sessenta por cento das pacientes se apresentam com nódulo na mama. Ou seja, nódulo na mama de mulher acima de 40 anos deve ser investigado imediatamente. Outros sinais importantes que não devem ser negligenciados, especialmente porque são sinais de doença em fase mais avançada são: retração do mamilo, alterações na pele da mama (retração ou cor avermelhada) e alterações no formato ou tamanho da mama. Vale ressaltar que o diagnóstico tardio aumenta a morbidade relacionada ao tratamento, compromete o bem-estar e reduz o tempo de vida.

Em relação ao câncer de mama em pacientes jovens (abaixo de 40 anos) sabemos que essas pacientes podem ter história de parentes com câncer de mama, inclusive homens, e câncer de ovário. Para essas mulheres consideradas de alto risco estão disponíveis algumas alternativas de rastreamento como a detecção de mutações genéticas (através do exame de sangue ou saliva), mamografia por ressonância magnética (para mamas densas) e vigilância clínica.

Em resumo, o câncer de mama é o tumor mais frequente acima de 50 anos. No Brasil, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram o maior número de casos. História de câncer de mama e de ovário nos parentes apontam para diagnóstico em mulheres jovens. Nódulo é o sinal mais frequente de câncer de mama. Diagnóstico tardio aumenta a morbidade do tratamento e reduz a vida da paciente. Diagnóstico precoce salva vidas.

Marineide Carvalho é Chefe do Serviço de Oncologia Clínica do Hospital Central da Santa Casa de São Paulo e Professora da Faculdade de Ciência Médicas da Santa Casa de São Paulo.
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